Prólogo
- Foi há muito tempo – dizia o Grande Mestre, sentado no seu trono –, meus amigos morreram. Companheiros de batalha que lutaram pela paz e a justiça na Terra. Isso foi há mais de duzentos anos. A batalha contra Chronos, o complô de Gêmeos, o despertar de Poseidon, a guerra contra Hades, a vitória contra Ártemis, tudo não se passou de algo insignificante para o que está por vir.
O Mestre do santuário se levantava do trono, correndo os olhos sobre o vasto salão. Ele começava a ter lembranças das batalhas que teve quando jovem. Suas cicatrizes, seus pecados, seus punhos que fediam sangue mesmo depois de tantos anos. Ele sabia que não iria para o céu quando morresse. Sua lista de mortos era enorme, se olhassem, diriam que é uma lista telefônica. Ele sempre tivera pesadelos com suas vítimas, mesmo tendo fama de durão. Porém, ultimamente, ele só teve sonhos com um bebê, em um berço. Bebê este que era Athena, Palas Athena, filha de Zeus, que estava pronta para nascer novamente.
- As estrelas dizem que o despertar de Athena trará paz para este mundo, no qual o equilíbrio foi afetado por Apolo. Há duzentos e catorze anos este momento é esperado por mim. Na virada do século, hoje à meia noite, Athena nascerá e reinará novamente mantendo o equilíbrio entre as trevas e a luz.
O Grande Mestre se sentava de novo, não podendo disfarçar um enorme sorriso por trás do seu elmo dourado. Duzentos anos depois, ele iria reencontrar a deusa. Em pouco tempo a deusa voltaria para o seu Santuário sagrado. Ela voltaria para casa.
Já era mais de meia noite. O Grande Mestre estava para morrer de tanta ansiedade, que era disfarçada pelo seu Elmo Dourado. Um homem encapuzado com um bebê de cabelos ruivos no colo batia no enorme portão de madeira do salão do Mestre, que se abriu sozinho. O misterioso homem entrava, e o Mestre logo levantou, se dirigindo ao homem que segurava em suas mãos Athena. O Mestre olhava para o homem misterioso, que continha seu rosto em segredo pelas sombras de seu capuz negro, que logo após entregar a deusa aos braços do Mestre, ficou de joelhos, para reverenciar o sacerdote do Santuário.
- Ótimo trabalho, meu jovem – dizia o mestre em tom de agradecimento, fazendo sinal para o homem levantar.
- Essa foi a maior honra da minha vida, Grande Mestre – respondeu o homem, levantando lentamente.
O Mestre do Santuário acreditava que em pouco tempo seria possível restaurar a paz no mundo, mesmo depois de toda a discórdia, sangue e dor causada por Apolo. Mesmo sendo um bebê, Athena emanava uma altíssima energia cósmica, que podia ser sentida de longe. O despertar da deusa não era um segredo para o Deus do Sol.
- Então ela despertou – falava um homem que observa toda aquela cena através de uma esfera amarela, que flutuava no ar.
O misterioso ser de cabelos púrpuro sentado em um trono era Apolo, irmão de Athena, e atual Deus Supremo. Ele fazia sinal para um misterioso guerreiro de olhos negros e cabelo azul, que trajava uma armadura dourada que lembrava um cavalo, aproximar-se.
- Sim, meu senhor – disse o homem, ficando de joelhos.
Apolo, com um leve sorriso no rosto, responde:
- Você está pronto para matar um Deus?
O guerreiro fez cara de espanto. Ele não estava entendendo a pergunta de seu senhor.
- Você matará Athena.
- Mas meu senhor – dizia o homem, espantado –, sem a Deusa, o equilíbrio na Terra será afetado!
O Deus do Sol parecia ignorar o que seu guerreiro falava. Ele se levantara de seu trono, e servia-se de vinho em um cálice dourado.
- Não seja inocente – respondia Apolo secamente, dando um leve gole de vinho –, não existe mais esse equilíbrio. A única coisa que existe agora é: o que eu quero e o que eu não quero fazer.
O guerreiro de Apolo não parecia muito satisfeito com o que ele acabara de ouvir. Ele olhava para o nada, pensando em algo que convencesse Apolo a desistir de querer matar Athena.
- Ande logo – continuava Apolo –, só existe um Cavaleiro de Ouro lá, no momento. Você não terá problemas. Derrote-o, mata o Grande Mestre, e retorne com a cabeça de Athena.
- Mas Athena é só um bebê! Não posso arrancar a cabeça de uma criança!
O Deus do Sol espantou-se com o levantar de voz de seu guerreiro. Lançou um olhar de censura para o homem de traje dourado, que olhava para o chão.
- Me obedeça. Agora, meu caro… vá!
O guerreiro, se levantando, fez sinal afirmativo com a cabeça.
- Eu farei este serviço, senhor. Com licença.
O Guerreiro saía do salão de Apolo, pensando no que faria. Ele não era um assassino, muito menos de crianças. Mas não tinha jeito. Ele teria que matar a deusa. Ele perdera a irmã mais nova há pouco tempo, ele nem imaginava, nem mesmo em seus piores pesadelos, matar uma criança..
- Eu farei isso, nem que a minha alma arda no inferno.
O guerreiro corria na velocidade da luz para o Santuário, com lágrimas nos olhos, pelo fato de ter que matar um inofensivo bebê.
- Um grande cosmo se aproxima – alertava o Mestre do Santuário. – Ele acabou de chegar. Rápido, corra para a casa de Áries!
O homem encapuzado também sentia um cosmo, mas não parecia ser de um inimigo. Mas não foi preciso um segundo aviso para ele descer correndo até a primeira Casa Zodiacal.
Já estava de noite, a escuridão tomava conta da Casa de Áries. Aparentemente, ela estava vazia, mas o misterioso homem encapuzado sentia um cosmo poderoso. Era um cosmo comparado a de um Cavaleiro de Ouro.
- Quem está aí? – perguntou.
- Eu!
Podia-se ver um homem com uma armadura brilhante e dourada, com seu rosto escondido pelas sombras.
- Quem é você?
- Eu me chamo Aquiles de Cavalo – falava o guerreiro de Apolo, saindo da sombra e revelando o seu rosto. – E o seu nome, Cavaleiro?
- Eu me chamo Heitor de Leão!
O Cavaleiro revelara seu rosto. Ele tinha cabelos dourados e olhos azuis, ele tinha cerca de quinze anos. Seu cosmo inflamava pronto para a batalha.
- A casa de Áries será o seu túmulo – exclamou o Cavaleiro de Leão, se preparando para atacar.
Aquiles começava a se sentir ameaçado pelo cosmo do Cavaleiro de Ouro, então logo ele se pos numa posição de defesa, também inflamando o seu cosmo hostilmente.
- É o que veremos – respondeu o guerreiro de Apolo, que corria erguendo o punho direito pronto para atacar.
Aquiles acerta um soco no rosto de Heitor, que não conseguiu desviar, mas em seguida lhe responde um chute vindo de cima para baixo no queixo dele, aproveitando o impulso do soco que ele acabara de levar. Os dois se chocaram nas colunas que se encontrava em lados opostos da primeira Casa Zodiacal.
- Você é bom – disse Heitor, limpando o sangue de sua boca enquanto se levantava.
- Você também – respondeu Aquiles, se levantando rapidamente.
Heitor começava a sentir uma presença familiar na Casa de Áries, e isso o preocupava.
- Vamos acabar logo com isso – propôs Aquiles, interrompendo a concentração de Heitor, que procurava o dono do fraco cosmo.
- Muito bem. Não pouparei esforços para te matar. E espero o mesmo de você.
- Tudo bem, então.
Aquiles e Heitor. Ambos se preparavam para usar seus mais poderosos e devastadores ataques. A Casa de Áries viraria um lago de sangue se dependesse da vontade deles. Os dois se encaravam. Olho por olho, punho por punho. Era possível sentir as energias cósmicas deles há quilômetros de distância. Leão contra Cavalo.
- Estou preparado – dizia Heitor.
- Ótimo. Espero que você também esteja preparado para morrer. Mas não se preocupe. Eu lhe darei uma morte rápida. Prometo.
- Agradeço a sua bondade. Mas você que terá uma morte rápida.
Os dois se calaram. Eles ainda se encaravam nos olhos enquanto davam pequenos passos em círculos pela Casa de Áries. As energias cósmicas de ambos estavam elevadas ao máximo.
- Leão de Fogo – exclama Heitor, que ao dizer tais palavras, suas mãos criam um enorme leão de fogo, que ferozmente corria contra o guerreiro do Deus do Sol.
Aquiles desembainha uma espada dourada do ar, e com um rápido movimento vertical, rachando o solo, partia o leão em chamas ao meio.