segunda-feira, 28 de abril de 2008

CDZ - A Nova Era (Capítulo Um)

Capítulo Um

Já eram mais de duas horas da madrugada. Fazia neve em New York, porém, um homem estava a observar a cidade, agachado na ponta da tocha da Estátua da Liberdade. A cidade estava muito diferente. No lugar de prédios e casas, só havia escombros. O homem podia observar alguns mendigos fazendo uma fogueira dentro de uma lata de lixo. Ele se levantou. Suas roupas não eram lá das mais elegantes, ele usava um jeans bem velho, uma camiseta preta, um casaco marrom e um cachecol preto, que lhe cobria metade do rosto.

- Que deprimente – falava o homem, agora observando os mendigos brigando por um pássaro morto, era o único sinal de vida que tinha naquele lado da cidade.

O estranho homem pulou da tocha da enorme estátua, que estava mal cuidada e muito feia, por sinal. Ele sentia o vento no seu rosto, enquanto ouvia o som do seu casaco se debatendo no vento, ainda em seu corpo. Ele cai de pé no chão, e com um enorme e anormal salto, ele estava no local onde os mendigos estavam brigando, estes levaram um susto quanto viram o ser se aproximar de tal maneira. Ele se aproximava dos dois mendigos, que agora estavam com medo dele. A fogueira da lata de lixo revelou que o homem tinha uma cabeleira dourada e enormes olhos azuis.

- Não tenham medo – tranqüilizava o homem, colocando suas mãos nos bolsos do jeans e tirando dois chocolates, entregando um para cada mendigo.

Os dois mendigos estranharam, mas aceitaram o chocolate.

- Muito obrigado – agradecia um deles. Eu me chamo Michael, e ele Johnny. Ele é mudo.

- Eu me chamo Páris – falava o homem. – Venham comigo, eu lhes levarei até um abrigo, onde tem mais gente… Que som é este?

Páris ouvia um barulho de várias motos se aproximando. Não precisaria ser um gênio para saber que ele teria que, mais uma vez, utilizar a força bruta.

- Afastem-se, ou vocês podem acabar se machucando – alertou Páris.

Dez motocicletas apareciam no local, com mais ou menos quinze homens. A décima primeira apareceu trazendo um enorme homem, careca e feio, com uma mulher muito bonita na garupa de sua moto. Ele fez sinal para a moça sair da garupa de sua moto. Ela obedeceu.

- Quem é você? Bem, não importa, mas parece que você tem comida – dizia em tom de ameaça o careca, que aparentava ser o chefe do bando de motoqueiros que cercavam o homem de cabelos dourados.

- Não tenho. Não para pessoas como você – disse Páris, friamente, seus olhos fuzilando o careca.

Os dois mendigos já estavam escondidos, ele já poderia usar sua força bruta.

- Rapaz, você quer morrer? Pois é isso que lhe vai acontecer, caso você não nos dê comida. Parece que você sabe onde é o depósito onde um grupo de mendigos se ajuda. Diga-me onde é. Agora!

- Retire-se daqui imediatamente e eu prometo esquecer seu rosto – ameaçou Páris.

O careca riu, e os outros motoqueiros, para puxarem o saco, também riram.

- Vamos torturá-lo, então. Até ele abrir a boca – disse o chefe do bando, descendo de sua moto e pegando uma enorme barra de ferro no chão. – Agora você vai aprender bons modos do jeito antigo!

O careca mostrava saber manusear a barra de ferro. Ele corria na direção de Páris, planejando lhe acertar um ataque horizontal na barriga, porém, este desvia facilmente. É possível ver sangue manchar uma parte dos escombros de New York. O careca estava ajoelhado no chão, com as duas mãos na boca, pois estava sangrando. Páris estava com a barra de ferro apoiada nos seus ombros, e com o pé direito sobre uma enorme pedra, que deveria pertencer há algum prédio que hoje estava destruído.

- Quem é o próximo? Se quiserem, podem vir todos de uma vez – sugeriu Páris, jogando a pesada barra de ferro para longe, como se fosse uma pena.

Um dos motoqueiros pegava uma pistola 9 mm, e apontava para o rosto do homem de cabelos dourados. Ele disparou e no mesmo momento foi arremessado por uma força invisível, e Páris havia sumido.

- Onde ele está? – perguntou um dos motoqueiros, que tentava achá-lo.

O mesmo motoqueiro é segurado pela cabeça, e arrastado até o centro do círculo formado pelos motoqueiros, e arremessado para longe.

- Vamos pegá-lo! – exclamou um dos motoqueiros, e todos os outro começavam a aquecer os motores de suas motos. – Você vai rezar para nunca ter nascido, loirinho!

Todas as motos iam à direção de Páris, que continuava com uma calma aparência. Todos os motoqueiros se armavam com canivetes e katanas, que passavam ao lado dele, visando cortá-lo em alguma parte do corpo, mas sem sucesso, Páris desviava facilmente de todos os golpes, derrubando os motoqueiros de suas motos. Em poucos segundos, todos eles estavam no chão, se contorcendo de dor. Alguns momentos depois, com certa calma e serenidade, Páris falou:

- Vocês quarem ir andando, não? Pois eu terei que levar essas motos.

Os motoqueiros ainda se contorciam de dor pela queda que cada um levara. Páris voltava à atenção para os mendigos.

- Vocês sabem pilotar motos?

- Eu sei – respondeu o mendigo chamado Michael.

- Ótimo!

Páris e os mendigos, cada um com uma moto diferente, iam até o único lugar onde tinha vida na cidade que hoje estava morta.

Os três caminhavam na direção dos escombros do Word Trade Center. Só uma das torres estava de pé, a outra estava pela metade. Mal haviam sido reconstruídas e logo foram destruídas pelos capangas de Apolo.

- É por aqui – avisou Páris, enquanto olhava pelos lados, para ver se ninguém estava olhando.

Ele se levantou da moto, e se agachava. Ele tirou um pouco de neve do chão com a sua mão, mostrando um tipo de teclado com números. Lembrava uma calculadora que estava presa no chão. Ele digitou quatro números no teclado, e uma enorme porta de aço se abria no solo, mostrando uma rampa que levava ao subsolo. Páris e os mendigos pilotavam a moto, descendo pela rampa, e em seguida a enorme porta se fechou.

O que parecia ser um esconderijo era um lugar muito limpo e amplo, que era dividido em três lugares: dormitório, refeitório e um enorme salão, com uma televisão antiga, um tapete velho e um sofá marrom. Tinham vários filmes em DVD de todos os tipos, desde “O Silêncio dos Inocentes” até “Procurando Nemo”. Várias pessoas estavam dormindo no dormitório, duzentas pessoas, mais ou menos, na maioria eram velhos e crianças. As luzes já estavam apagadas, e todos dormindo.

Páris fez sinal para Michael e Johnny se acomodarem em camas vazias. Mas ele foi até o sofá, onde tirou o casaco e o cachecol. Aparentava ter mais ou menos vinte anos. Em seguida, uma linda jovem de cabelos loiros e compridos, vestindo um jeans bem velho e uma camiseta justa e branca, se sentava também no sofá.

- Você se machucou? – perguntou a jovem, acomodando sua cabeça no peito de Páris.

- Claro que não – respondeu ele, acariciando a cabeça dela. – E você? Não conseguiu dormir?

- Claro que não, Páris. Fiquei preocupada.

Ele dava um beijo na testa dela, com uma expressão exausta. Ela aparentava ter quase a mesma idade dele, embora aparentasse ser mais nova. Seu nome era June.

- Eu trouxe mais dois aqui hoje.

- Eu vi. Onde você os encontrou?

- Eles estavam brigando por comida. Dei dois chocolates para eles.

- Onde você achou chocolate?

- Eu achei muitos suprimentos. Um supermercado congelado. Eu o cobri. Toda a comida deve estar boa – mentiu.

- Que bom – disse June, fingindo acreditar.

- Sim.

June se aconchegava mais no corpo de Páris, beijando-o, mas ele a interrompeu, e falou:

- Aqui não. Qualquer um pode acordar.

- Está bem – respondeu ela, enquanto o abraçava. – Eu te amo, Páris.

Ele a abraçou, e em seguida, os dois dormiram.

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