Alguns dizem que as almas choram.
Pela primeira vez, ouvi, hoje, o choro de uma alma. Você o reconhece sem titubear. Não é um choro qualquer, é um choro desesperado, desenfreado, desengoçado, sofrido. Parece poder ser ouvido aos quatro cantos do mundo e, ao mesmo tempo, ser direcionado para uma pessoa só, uma de cada vez, como se dissesse para seu alvo: "Venha, chore comigo! Por mim!". É Irracional, incontrolável, imoral.
Cada espasmo traz consigo o choro de uma pessoa diferente. Para a vítima de tal desespero, eu sei que o mundo parece nem se importar com sua dor. Os pássaros continuam a cantar; as borboletas a voar; as flores a brotar; os coveiros a cavar; os vivos a morrer... mas essa vítima deve saber que, por maior que tenha sido sua perda, não lhe dá o direito de ser egoísta. Nunca. Tal vítima também deve saber que problemas são feitos para serem enfrentados, e não para lhe parar, por isso, nunca se deve fugir a um problema, seja por meio de drogas, bebidas ou suicídio, e sim superá-lo. O maior erro de alguns é deixar esses problemas pra trás, no passado, esquecidos. Problemas, assim como não feitos para parar pessoas, também não são feitos para ser esquecidos. Esquecer um problema é esquecer que ele existiu, é esquecer como superá-lo. Um problema que traz à tona o choro de uma alma acontece mais de uma vez na vida e exige ser superado novamente.
Tais choros são os mais doloridos e os mais verdadeiros.
Tais choros acontecem quando menos esperamos ou quando mais temos certeza, ele continua com a mesma força.
Tais choros devem nos impulsionar a subir mais um degrau e não a descer dois.
Tais choros simbolizam a eternização de seu motivo, que devem vir a se tornar imortais depois do choro.
Por isso, tais choros servem pra que sempre lembremos de tais choros, pra que sempre lembremos pelo que choramos, para que sempre lembremos de seus motivos.
Pê, você não é só apenas Pê. Você é Pê-a-i, você é o que te fizeram, ou, devo dizer, o que te fizemos?
Você é meu primo, você é meu irmão.
Eu te amo, cara, não esquece disso.
Um abraço dos que você já conhece, Ramon.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
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